25 de novembro de 2011, Postado por Faveco em Artigos, 1 Comment.
Babushkas & Branca de Neve
Não! De jeito nenhum! Não vou ceder à tentação! Nem usando o colírio alucinógeno receitado pelo Macaco Simão nem o do meu oculista, que me disse que para curar mesmo minha conjuntivite ocular e mental só mudando do Brasil. Não, eu não vou escrever sobre os escândalos do Arruda. Teria que mudar o título do artigo para Ali Babá e os milhares de ladrões que infestam a política brasileira e ficam impunes, como o famoso Waldomiro do mensalão anterior. Não, isso eu não vou fazer. Galho de arruda neles! Deixa estar, jacaré, que um dia a lagoa vai secar… Será que vai mesmo?
Coitado do Delfin quando me dizia que o Brasil poderia ser uma das nações mais ricas do mundo se pagasse só os 10% – sem ter que comprar os panetones ou construir a obra para justificar. Êta 10% de saudosa memória. O Brasil era como a professorinha: feliz e não sabia. Mas, convenhamos, naquele tempo tudo era mais barato e 10% estava bom demais. Hoje, o pedágio é astronômico, já que a carestia está medonha. E mesmo assim continuamos a ser campeões de obras inacabadas. Ninguém é melhor do que o Brasil nesse quesito, que não é de escola de samba, mas do samba do crioulo doido em que se transformou a Nação. Tudo bem, né? Afinal somos ou não somos o país da impunidade? Esse caneco ninguém nos tira.
O Gorbachov é que ensinava que político em campanha tinha que prometer ponte onde não havia rios… Mas na Rússia eles só prometiam… Nós prometemos e fazemos. Somos “tiquititos pero cumplidores”, que nem as Pílulas de Vida do Dr. Ross…
E, mesmo assim, “la nave va”…
Mas e as bonequinhas russas e o Walt Disney?
Me criei profissionalmente vendo e ouvindo o David Ogilvy fazer a analogia entre as “babushkas” e as empresas: “se você contratar pessoas menores você terá uma empresa de anões”. E mostrava as bonequinhas, tirando uma de dentro da outra, até chegar àquela pequenininha que fica por último. Resultado: imbuídos dessa filosofia, nós criamos uma empresa de gigantes, que transformaram a Ogilvy & Mather numa das melhores e maiores agências de publicidade do mundo, com uma relação de clientes invejável e quase 300 escritórios em mais de 100 países.
Agora, lendo o livro “Fazer Acontecer”, do admirável Julio Ribeiro, me deparei com a analogia que ele usa para dizer a mesma coisa: a síndrome do Branca de Neve. O Branca é aquele cara que só contrata anões.
“Babushkas” ou Branca, o fato é que, lamentavelmente, ainda existem empresários deste feitio. São os tais “reis da cocada preta”, que sabem tudo de tudo, que não ouvem, que odeiam “gastar dinheiro” com consultores experientes, que não querem sombra nem ameaça, que esquecem que profissionais de alto calibre, melhores do que ele, farão com que ele cresça e ganhe dinheiro cada vez mais. Afinal, lucro nunca deu prejuízo para ninguém, mas inovar e maximizar lucratividade sozinho é parada dura, quase impossível. Estes ditos “empresários” (entre aspas) nunca ouviram falar que a expressão “TEAM” (equipe) significa: “Togheter Everyone Achieves More”.
Não posso citar os nomes, mas me lembro perfeitamente de quando participei da criação da subsidiária brasileira de uma grande multinacional que se dedicaria a produzir e comercializar produtos de consumo. Aprovado o enorme investimento pelo Board em Londres, a equipe tupiniquim se dedicou à construção da fábrica, gastando ligeirinho os muitos milhões de libras esterlinas alocadas. Até aí tudo bem, que não dá para produzir nada sem uma fábrica. Até que chegou o dia da contratação do executivo principal, do líder, do CEO. E lá fui eu, alegre e confiante, sugerindo o nome de um profissional que eu tinha certeza de que daria conta do recado – e muitos dividendos para os acionistas. Qual não foi a minha surpresa quando fui informado que ele não seria contratado porque era “muito caro”, que a decisão tinha recaído no segundo da lista, que “era quase tão bom” e que custava muito mais barato. O indigitado cidadão foi admitido e a empresa foi pro brejo, fechou, desapareceu. O contratante, que se achava o maior do mundo, não passava de uma minúscula “babushka”, o Branca de plantão. Pouco depois foi demitido.
1 Comments
25 de novembro de 2011 12:31
Norberto Isnenghi @Twitter Name
Faveco: seu blog é um ponto de parada obrigatoria para abastecimento da sabedoria do “Communication Busines” que, aliás, com este nome ainda não ví referências.
Grande abraço de quem teve o prazer de te fotografar “com Hasselblad” como você mencionou no dia!
Postando seu comentário...
Leave A Comment