30 de novembro de 2011, Postado por Faveco em Artigos, No Comments.
Adote um político
A democracia
exige de todos um diálogo crítico,
criativo e sobretudo constante e permanente,
com os políticos.
A primeira vez que eu escrevi este artigo foi em junho de 1993, há 18 anos…. Naquela época não havia internet nem e-mail… Como temos eleição pela frente, o tema continua atualíssimo. Leiam.
Depois de um longo período de autoritarismo e, como conseqüência, de obscurantismo - além de alguns péssimos episódios “colloridos” - a sociedade brasileira ainda está aprendendo a lidar com a democracia. Este é um “mal” que aflige a todos, e do qual não escapam as elites. E a solução para a crise do país - queiram ou não queiram – só virá através de um entendimento a partir do dialogo e da critica.
Nesta aspecto, é preciso estabelecer uma ponte sólida entre os políticos e todos os segmentos da sociedade, dentre os quais os empresários. Os problemas brasileiros são complexos e dificilmente poderão ser todos resolvidos, por exemplo, pelos quase seiscentos congressistas que temos em Brasília, se os mantivermos isolados. Por isso, continuo acreditando que o caminho eficiente é o contato direto, num corpo-a-corpo diário físico ou eletrônico, com os chamados representantes do povo.
Sempre que converso com empresários e o tema é o descompasso entre a realidade de cada um e a vida em plenário eu lhes digo: adote um político.
Isso mesmo: adote um político!
Estou cada vez mais convencido de que deveríamos “escolher” um deles para cada um de nós. E, em seguida, tentar transformar-nos em sua fonte permanente e confiável de informação.
Não custa dar alguns telefonemas por semana, promover alguns encontros durante o mês, transmitir idéias e sugestões. (hoje é bem mais fácil, basta mandar um e-mail ou utilizar as redes sociais, o marketing viral, o boca-aboca eletrônico à disposição).
É preciso que se entenda, por exemplo, que a vida dos parlamentares não é lá tão fácil como se pode eventualmente imaginar. Nem se pode esperar deles
pleno e profundo conhecimento de causa, quando são individualmente chamados a decidir, se não nos dispusermos a lhes dar o necessário subsídio que possa melhor embasar o seu voto. Afinal, são centenas de projetos, alguns dos quais versando sobre matéria da qual muitos jamais ouviram falar.
Na essência, o político busca (ou deveria buscar), como qualquer pessoa decente, o mesmo que todos nós: desenhar uma Nação que venha ser um dia próspera e socialmente justa.
O contato permanente, ainda que sua execução pareça utópica diante da magnitude da empreitada, é mais produtivo do que tentar salvar almas numa igreja vazia. Não é suficiente, nem gera credibilidade, organizar caravanas bissextas que vão à Capital Federal num dia e que voltam correndo no outro, ou, se der, no mesmo dia. O relacionamento tem que ser constante para ser eficaz.
E antes que alguém lance a primeira pedra, vamos abrir logo o jogo. É claro que estamos falando de “lobby” (*), que já é uma instituição nos países desenvolvidos e que tornou-se uma profissão tão respeitável como qualquer outra nos Estados Unidos. O “lobby” faz parte do jogo democrático.
Muitos empresários concordam que o caminho é por aí, mas temem ser acusados de estar tentando “comprar” este ou aquele interlocutor privilegiado, exorbitando, traficando influências ou abusando do “poder econômico
Bobagem
Não se deve generalizar pelas más exceções.
A verdade é que não se pode entrar na chuva com medo de se molhar.
É preciso ter coragem para enfrentar a situação.
A crítica também está na essência da democracia, e não podemos deixar que maus exemplos nos inibam e nos tirem a força de lutar por aquilo que acreditamos seja melhor para o conjunto.
A necessidade de diálogo é fundamental. E cabe a nós, com inteligência, dedicação, constância e desprendimento, pavimentar o melhor caminho para a solução dos problemas nacionais.
Estamos vivendo, mais uma vez, outro instante decisivo.
Cada um tem a obrigação de desempenhar o seu papel.
A Nação agradece, mas dispensa excesso de zelo ou pruridos no encaminhamento de seus assuntos.
Ela quer ser grande e desenvolvida, porque seus filhos merecem.
O momento exige iniciativa e ação.
É assim que funciona uma democracia
Eticamente.
Imediatamente.
Antes que seja tarde demais.
(*) o projeto de lei do Senador Marco Maciel, regulamentando o lobby” no Brasil, tramita há 22 anos…
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